Diferencial

O Instituto Rondon Minas é uma organização não governamental, de caráter privado, sem fins lucrativos. Apesar de ter ganhado esta denominação em 2013, já vem com uma expertise de trabalho desde 2005, a partir das inúmeras ações dos Rondonistas realizadas em Minas. Todo esse trabalho foi executado junto a parceiros das iniciativas público e privada através de uma cooperação técnica, financeira e solidária.

Dentre estes parceiros estão a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais/PUC Minas , a Secretaria de Estado para o Desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas/SEDVAN MG (2005/2006), o Ministério do Turismo/Banco do Brasil (2006/2007), a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social/SEDESE MG (2008/2009), Fundação Estadual de Meio Ambiente – FEAM/Governo do Estado de Minas Gerais (2010/2013), além de Prefeituras Municipais do Estado de Minas Gerais e de 13 Instituições de Ensino Superior (IES).

Estas experiências trouxeram um caráter transdisciplinar para o Projeto Rondon®, o que promove a inovação em tecnologias sociais, em diversas áreas de conhecimento para atendimento das demandas da sociedade.

O potencial do Instituto Rondon Minas se dá em pelo menos sete aspectos:

1) O Instituto desenvolve, desde 2005, suas operações em duas vertentes:

a) Ação Regional – intervenção social em municípios mineiros de até 60 mil habitantes, com baixo índice de desenvolvimento humano, priorizando as regiões mais vulneráveis de Minas Gerais, sendo 115 municípios atendidos no estado, totalizando 279 intervenções; 

b) Ação Local – intervenção social em municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte, priorizando áreas (bairros, regionais) de extrema vulnerabilidade social, como assentamentos irregulares, áreas de risco, entre outros, buscando diagnosticar e intervir na situação de violação dos direitos sociais dessas comunidades, a exemplo da Vila Cemig, Petrovale, Vila São Bento, bairro Cabana, Comunidade da APAC (sistema prisional em Santa Luzia/MG), bairro Nova Vista em parceria com o Projeto Circuito Jovem, do Centro Marista de Belo Horizonte, Vila São João, no bairro Olhos D´Agua, Ação Solidária – Dia C, no bairro Pampulha em parceria com a OCEMG, ações de capacitação na Vila Fátima em Ribeirão das Neves, município da Grande BH e parceria com o Curso de Capacitação Construção e Cidadania do Vicariato Episcopal e PUC Minas. 

Além dessas ações, técnicos e universitários do Projeto Rondon foram aprovados em editais do Ministério da Defesa para participar do Rondon Nacional, com participação em oito intervenções e seis municípios na região da Amazônia, Mato Grosso, Pará e Tocantins.

2) A metodologia de gestão participativa dos trabalhos, das pesquisas, diagnósticos socioespaciais, planos técnicos de diversas áreas de conhecimento e trabalho comunitário, que são de alta complexidade, tem por finalidade o desenvolvimento integrado e sustentável das comunidades atendidas. Essas ações se norteiam pelo trabalho socioeducativo junto às comunidades, além do incentivo a participação popular, ações de formação política e de lideranças e geração de trabalho e renda. A opção pela gestão participativa é uma estratégia para garantir a inserção de várias áreas de conhecimento e utilizar a interdisciplinaridade na reflexão e solução dos problemas sociais.

3) Atuação social considerando o princípio da economicidade em executar ações de promoção e avaliação das políticas públicas existentes e demandas dos respectivos parceiros com recursos otimizados, devido ao engajamento de número significativo de voluntários técnicos e universitários extensionistas, além do potencial de mobilizar profissionais capacitados com uma visão sistêmica e com responsabilidade social. O voluntariado universitário oriundo de vários cursos de graduação e pós-graduação das IES tem sido um diferencial importante nas ações do projeto Rondon Minas, pois faz convergir diferentes olhares para a realidade a ser tratada, além de agregar muitos indivíduos aos recursos humanos do projeto (cerca de 300 voluntários por semestre).

4) A metodologia de trabalho comunitário desenvolvida no Projeto Rondon, junto às diretrizes da política de extensão universitária, tornou-se uma referência em âmbito nacional e internacional junto às Instituições de Ensino Superior e demais entidades do terceiro setor, sendo a coordenação do Rondon convidada a apresentar o Projeto Metodológico em importantes eventos acadêmicos: Encontro de Universidades Brasil/Bolívia (2008) realizado na UNIDERP/MS; Congresso Brasileiro de Extensão Universitária (Mato Grosso do Sul, 2009), Fórum Nacional de Extensão Universitária das Universidades Comunitárias (2010) e Asamblea Nacional de Rectores (Peru, 2009), entre outros eventos em universidades mineiras. Este trabalho tem como orientação principal o planejamento e a realização de atividades de mobilização social que incentivam a autonomia das comunidades a se organizarem política e coletivamente para superar sua situação de vulnerabilidade social e exclusão.

5) Toda a experiência da instituição se fundamenta na ótica dos direitos humanos (fundamentado nas diretrizes de acordos nacionais e internacionais), empreendedorismo social e sustentabilidade, tendo os seguintes eixos norteadores do trabalho: a mobilização da comunidade em torno de um programa de desenvolvimento; o incentivo ao resgate da cultura local; o incentivo à participação popular; a realização de ações que contribuam para criação de um espírito empreendedor da população; a identificação de potencialidades, problemas e proposição de soluções coletivas; a identificação e captação de outros parceiros para o cumprimento de projetos específicos; a formação de agentes multiplicadores em diversas temáticas; a criação de condições para a continuidade das ações desencadeadas e a integração/articulação das políticas públicas municipais e estaduais. No ano de 2011, recebeu o Prêmio Hugo Werneck – de Sustentabilidade e Amor à Natureza (“Oscar da Ecologia”), na categoria Acadêmico.

6) A elaboração de Plano de Capacitação dos técnicos é uma diretriz institucional, na qual coordenadores e universitários que integram as equipes de trabalho para cada atuação do Projeto Rondon Minas totalizam uma programação de cerca de 100 horas/aula para 200 horas de trabalho de campo. São temáticas como: Formação Política, Educação Fiscal e Previdenciária, Gestão de Resíduos, Educação Ambiental, Políticas Públicas, Saúde Coletiva, Gestão Cultural, Economia Solidária, Trabalho Comunitário, Mobilização Social e Mediação de Conflitos, Elaboração e Avaliação de Projetos Sociais, Desenvolvimento de Diagnóstico, entre outros. Esta participação de profissionais e universitários de diversas Instituições de Ensino Superior já atingem cerca de 2 mil Rondonistas e promovem a troca de experiências entre o saber popular e o científico gerando a produção de conhecimento e fomentando pesquisas que podem subsidiar avaliação de políticas públicas por meio de indicadores e até propor novas metodologias

7) Em relação a temática de remoção e reassentamento de famílias em situação de risco destaca-se a experiência inédita de técnicos do Instituto Rondon Minas nomeados como Peritos Judiciais do Tribunal de Justiça Federal/Seção Minas Gerais, para o atendimento de 100 famílias moradoras da faixa de domínio da BR 381, nas Vilas Pica Pau e Vila da Luz (parcial), em Belo Horizonte. Esta peritagem resultou no desenvolvimento de uma metodologia própria de mobilização social, mapeamento, selagem de moradias e cadastramento social que subsidiará as ações deste contrato. A metodologia utilizada otimizou os recursos destinados à Perícia Judicial e ampliou o número de famílias atendidas chegando a soma de 192, sendo 68 casas seladas para remoção. Registrou-se também a redução do tempo de cadastramento e selagem, no intuito de promover uma maior aprovação da comunidade, o que pôde ser comprovado pela grande participação da população nos eventos de mobilização durante as visitas domiciliares para aplicação de questionários.

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